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SJC
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Doce, carnudo e umidamente instigante
pra quando dormir de instante
nos breves encontros que aqui minto
lembrar do cheiro que não mais sinto
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Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita
Carlos Drummond de Andrade
SABULUM
Onde havia verde, onde havia vida e diversidade, sobrou areia e argila. Onde haviam árvores, sobraram pedras. A densidade da floresta atlântica se tornou árida. O vívido se esvaiu, restando o sopro do vento.
Areia e Argila. Somam-se e resultam no Saibro (do latim: Sabulum). Vinte anos de exploração humana descaracterizaram um morro que antes era mata e agora é desértico. Quando pouco restou, o homem-gafanhoto mudou de morro e seguiu seu rumo. Deixou para trás um espaço vazio e dinâmico. Frequentes erosões e intempéries modificam o cenário aparentemente estático.
Este ensaio pretende apresentar de forma estética a força modificadora do ser-humano e, paradoxalmente, sua pequenes perante as forças naturais. O que restou foi a escama, a superfície de areia e argila, o saibro, sobra, soberba e desequilíbrio.
De vazios completo o meu ser
sendo, completo o vazio da humanidade
existo logo existe o entorno
de entorno me entorno
me comprovo e limito
limítrofe. Sem arame farpado
farpas atiro ao monstro que sou
existo e me completo
vazio me esbaldo.
Henri Bergson in Memória e Vida
AFRICA JAZZ!